TODO VELHO JÁ FOI JOVEM, NADA MAIS ÓBVIO.
LUÍS MORAIS: UM JOVEM DIFERENTE
Juventude é tempo de sonhos, de planos, de loucuras, do achar que pode tudo, de pensar que é sem ser, de realizar façanhas e de juntar traumas para o resto da vida. Vivi minha juventude sempre tentando ser o melhor em qualquer agrupamento que participasse. Extremamente ansioso, cometia loucuras e nunca evitei o imprevisto, a não ser que o perigo fosse real.
Se eu colocasse na cabeça que iria fazer alguma coisa proveitosa, passava a noite acordado, e mal o dia amanhecia, já partia para realizar. Assim foi quando resolvi acatar o conselho do conterrâneo cientista Augusto Ruschi – a maior autoridade no mundo dos beija-flores – de que eu deveria parar de caçar os inhambus e criá-los.
Depois de muitos anos – sendo a maioria das vezes campeão de disputas cinegéticas capixabas – que todos os anos partiam por um mês para alguma região florestal do Brasil, decidi pendurar a espingarda e criá-los em cativeiro. Parei de caçá-los, mas para criá-los precisava de matrizes. Parti para a captura. Depois de muitas experiências, concluí que o lacinho era o mais prático, rápido e quase infalível. Em menos de um ano a reprodução em cativeiro iniciava-se.
Nesse ínterim, conheci outro cientista, o eminente Werner C. A. Bokermann, que acabava de retornar com sua equipe de 12 auxiliares, de uma incursão de captura na Amazônia. Saldo dos 15 dias de tentativas: um Tinamus tao laçado no poleiro. Conseguiram a façanha mais difícil: laçar a azulona pelo pescoço. Notando que ela se batia demais no chão, tentaram abafá-la. Estava sem a cabeça. Decepcionados, no outro dia retornaram ao zoológico de São Paulo, pois o Werner era o diretor da instituição. Não sei como, ele ficou sabendo que eu já conseguira capturar os inhambus de que precisava para minhas matrizes – tendo-os localizado.
Sem avisar, apareceu em Linhares, no Espírito Santo, acompanhado de dois amigos. Um era o dono da aeronave e da Orniex, o outro, um caçador cujo nome não lembro mais.
Depois das devidas apresentações, partimos para a comprovação. Mesmo com o Werner já velhinho, meio cego, meio surdo, meio rouco, meio tudo, depois de escolher um bom lugar, fazer uma grande choça, postar minhas armadilhas, entramos no esconderijo. Comecei, ora convidando, ora desafiando os donos daquele território. Tendo capturado um Tinamus solitarius e dois Crypturellus variegatus, Werner ergueu-se, limpou a garganta e foi enfático: “Basta, para mim chega. Já vi tudo o que queria.” No dia seguinte, levando os pássaros, tomaram a pequena aeronave e retornaram a São Paulo.
Entusiasmado pelas palavras de gente tão importante, comecei a estudar os Tinamideos. Nessa época eu mantinha uma página hospedada na Jupiter Internet e muitos estudiosos logo começaram a me procurar para trocar ideias. O tempo foi passando, levando consigo minha saúde. Eu dependia dela para realizar minhas loucuras. Era costume eu e meu inseparável cunhado Arlindo, já falecido, sairmos de casa à meia-noite e caçar macucos no poleiro até o dia amanhecer; depois usávamos os pios até escurecer. Em seguida, procurávamos um lugar para passar a noite, limpar as caças abatidas, acender o fogo, comer carnes escolhidas, salgar as restantes, amarrar em sacos plásticos e enterrar no leito de algum riacho quase seco.
O passar do tempo foi difícil e cruel para mim. Ainda hoje mantenho resquícios de alguns estudos sobre os Tinamideos em minha nova página, mas apenas para mostrar o ponto em que percebi que meu tempo de sonhos estavam se tornando pesadelo: não dava mais!
Um dia, minha filha Drielly falou-me a respeito de um rapaz que queria falar comigo sobre passarinhos. Era um jovem com apenas um celular, um violão, uma máquina fotográfica e um grande sonho de que conseguiria vencer na vida com estes três equipamentos, procurando, encontrando, filmando e gravando aves raras deste nosso imenso Brasil. Chamava-se Luís Morais. Era simples, inteligente, decidido. Experimentou a crueza da necessidade e a graça das boas amizades. Hoje, Luís Morais é um ornitólogo, é brasileiro, pesquisador e fotógrafo de aves raras. Começou sem a mínima estrutura, apenas com a coragem e a fé. Para isso, os jacus-estalos – pássaros extremamente temerários. Depois de alguns anos, gravou seu piado, meio parecido com os udus de certas regiões. Para esta gravação, contou com o fundo musical de uma fêmea de Tinamus tao. O caminho estava aberto para o prefácio de suas conquistas. O certo é que, enquanto muitos tentavam filmar um, Luís já colecionava vários, inclusive o jacu-estalo-de-bico-vermelho. Sobre ele disse: “Para mim é a ave mais bonita entre todas as concorrentes de penas do mundo”.
Foi ele quem agora descobriu e descreveu o inhambu (Sururina-da-serra – Tinamus resonans) na Serra do Divisor, na divisa do estado do Acre com o Peru.
Luís faz doutorado no Museu Nacional, e participa de expedições ornitológicas com a “Hiléia Expeditions”, focadas no estudo de aves de difícil visualização, visando a conservação das espécies raras e ameaçadas de extinção. Em poucos anos já tem artigos publicados, e alimenta a plataforma WikiAves, mostrando as fotos dos pássaros, assim como seus piados e localização. Já com mais intimidade, um dia lhe disse: Luís, quando alguém quer uma coisa, só dependerá dele, porque a parte de Deus sempre é garantida. Você vai vencer na vida.
Luís compartilha seus registros e estudos por meio do Instagram (@luix_morais) e Facebook, focando em “birdwatching” na Amazônia. Dê uma passadinha por esses aplicativos e saiba mais sobre essa estrela cuja luz que ora cintila em nossa galáxia cultural. Amigo, não imagina como me orgulho de poder pensar somos amigos!
Esta foto foi tirada numa de nossas caçadas a alguns anos passados, quando eu ainda não sentia tanto o peso dos anos. Feliz Natal aí no céu, meu querido sobrinho!
Vai com Deus, companheiro de pescarias e caçadas: socorro para todos os momentos difíceis em que vivi a seu lado.
Filho de minha irmã Elda Fregona, depois de meses atacado por cirrose hepática com sua consequência irrecuperável, acabou falecendo num hospital de Goiânia. Valber, o irmão caçula e seu compadre de fé cuidava dele desde a descoberta do problema. Em suma, estava apenas esperando o dia e este chegou no domingo à noite, 13 de dezembro de 2025. Bem nos lembrou Jesus: vigiai e orai, porque não sabeis o dia nem a hora. Em menos de seis meses, aquele homem forte como um touro fornido e sadio, alegre, brincalhão, sem maldade, não conseguia comer mais nada e ficando com a barriga cada vez maior. Os exames constataram o início do fim. Não podia operar e remédio algum funcionava. Deixou-nos o exemplo vivo de como ser amigo de verdade e de como viver feliz sem magoar aquele que morreu por nós.

Clara Lilica
Dia 5 de dezembro de 2025, sexta-feira, às 17h30min, na sede da Academia Imperatrizense de Letras, foi lançado o livro CLARA AND THE LITTLE E PINK BALL, o primeiro livro da Thayane Silva: um livro infantil escrito em outro idioma. Fiquei maravilhado com a ideia da escritora, oferecendo à juventude a oportunidade de ler seu primeiro livro em inglês. É que, com a evolução da cibernética, as crianças compensam o tempo aprendendo a língua universal. Você, Thayane não parou por aí: no finalzinho do livro, ofereceu um Qr Cod para aqueles que quiserem conhecer, em português, a história da Clara Lilica com seu apego à bolinha cor-de-rosa, cuja empatia ainda hoje a faz chorar. O único medicamento que arrefece uma intensa saudade é o tempo, cara Thayane! Meus parabéns pelo livro, pela organização, pelo carinho sem restrição. Numa noite de chuva, você conseguiu ocupar todas as cadeiras. E ninguém achou que estava demorando, porque, sabiamente, você ocupou todos os intervalos com pareceres de companheiros e amigos de verdade… e de sonhos.
Júnior Marins está prestes a lançar também seu primeiro livro LOA DE MENINO. Está trilhando duros caminhos para realizar um dos maiores sonhos de sua vida: escrever e editar um livro. O certo é que quem estiver meio triste, não pode perder a oportunidade de recuperar o humor. Cada conto ou causo, todos respeitando o linguajar regional dos protagonistas, acaba se tornando uma aula de dialética sobre as raízes de nossa cultura regional. Um pequeno exemplo:
RIBAMAR E O PEBA
Ofereço ao meu amigo Rubêra! Esse universo ficaria sem graça, sem a graça dele!
Era manhã de dezembro de 1995, em Miranorte, Tocantins. Sempre que posso, volto aos ares de minha terra natal tão querida, onde nasci e fiz muitos amigos.
Nesse dia, assim que cheguei, já quase meio-dia, resolvi ir rapidinho à feira local, na expectativa de encontrar algum amigo de infância, pois lá é local de bate-papo de velhos conhecidos. Ao me aproximar de um barzinho ao lado, algo me chamou a atenção: vi um sujeito que gargalhava e o outro em silêncio total, feição fechada, zangado virado a peste.
De perto, pude constatar que se tratava de dois velhos conhecidos de infância; de um lado, José de Ribamar, o Riba, nascido e criado naquela terrinha. Encontrava-se sério, sisudo, pois, do outro lado da mesa, gargalhando em disparada, estava o irrecuperável gozador, Rubesmon Mendes, mais conhecido pelo apelido de Rubêra.
Por ser um gozador escrachado, ninguém jamais queria ver seu nome norteando na língua daquele insano. É, sem sombra de dúvida, um dos caras mais gozadores que já conheci! Não tinha como não despertar curiosidade, vendo um sujeito morrendo de dar risadas e o outro sério, valente, ameaçando dá-lhe umas porradas.
Ao derredor, diversas pessoas na melhor da segredagem, numa fofoca brejeira, tentando entender o motivo de tamanho escracho, pois, quanto maior era a indignação de Riba, mais o Rubêra se divertia. Era cômico, não se continha, puxava o fôlego, babava, batia a cabeça tão forte na mesa, ao ponto do seu copo de cachaça cair, fazendo falta no sangue desse ébrio inveterado. E Riba esculhambando-o de todo nome.
Baixada a adrenalina, Riba me cumprimentou e se retirou injuriado. Assim, pude me sentar no seu lugar e esperar que Rubêra pudesse me contar o real motivo da discórdia; e eu, interessadíssimo, ouvi.
Pois bem, ao me deleitar com a história, confesso abestalhado que é uma das prosas mais divertidas que já presenciei. Não me lembro de ter visto um sujeito se divertindo tanto, tirando sarro da cara do outro como neste dia. Mesmo sendo um simplório causo, a graça foi a bizarrice da gargalhada desenfreada desse eterno gozador.
O fato discorrido por Rubêra, teve a participação direta do pai do Riba, Seu João, sujeito humilde, simples lavrador, rude, que vivia da pequena agricultura, gente do bem; nas horas vagas, caçador.
A acontecência descrevo a seguir. Infelizmente, as gargalhadas desse eterno gozador são deveras impossíveis de serem transcritas.
Seu João, o pai do Riba, resolveu ir caçar tatu. Em sua companhia: o cão caçador da família, Xerife, seu alforje, uma peixeira, um cantil de cabaça, um Hollywood sem filtro e, de troco, o filho Ribamar, o Riba. Lá pelas tantas da noite, já madrugando, o cachorro acuou um tatupeba e, pelo latido, o bicho era grande, mas o alvoroço foi bem maior. É cachorro latindo, João gritando, é o bicho correndo feito a mulésta dos cachorros. Certamente, ia dar trabalho! Não era coisa pra ajudante mirim. No entanto, Riba se agigantava bravamente para acompanhar o pai naquela caçada infernal. Menino ainda, mas sabedor que chegaria a hora de o pequeno guerreiro ser útil naquela árdua tarefa de assegurar um suculento almoço.
Xerife saiu mais apressado que cavalo de carteiro atrás da caça, sem entender o adágio popular que diz: “cachorro bom de tatu morre de mordida de cobra”. Guiado pela voz de Seu João, que de vez em quando, zangado gritava:
– Eita! Cachorro da mulésta, mais devagar, fí da peeeste!
Soltando os bofes para acompanhar o xerife, lá ia João. Mesmo cansado de correr, chegou na caça e já saiu gritando de longe:
– Corre, Riba, que eu peguei o bicho!
O menino que já corria muito, disparou feito um raio, e o encontrou feliz pelo intento desejado. Ao aproximar-se da cena do crime, Riba vê o pai virado no sufoco, lutando contra o animal que, bravamente, buscava escapar. Então, o pai teve uma ideia genial de aproveitar a ajuda juvenil disponível, ou seja, a única que lhe restava naquele momento, o filho Ribamar. E, de joelhos, pediu para que ele pisasse sobre as costas do peba, enquanto ele, João, enterrava uma peixeira de baiano no vazio do peba. O pobre coitado não conseguindo resistir a tamanha violência, em ato derradeiro, sucumbiu.
Sem perceber que o peba já estava morto, Riba continuou com o pé firme pisando na criatura morta, empunhando toda força e peso que podia sobre o animal, incomodando seu pai que, apressadamente, só pensava em se levantar e ir para casa, encerrando satisfeito aquela árdua labuta. E, franzindo a testa, deu a primeira ordem para o menino:
– Riba!
O menino, logicamente, achava que o pai estava o chamando pelo nome e respondeu timidamente:
– Siô, pai! Seu João deu a segunda ordem, já intrigado: Riba! E o menino leso, continuou de boca aberta que nem burro quando come urtiga enganado, mas respondeu:
– Siô, pai!
Seu João continuou com a mão sobre o peba, agachado rente ao chão, e o infeliz do menino com o pé em cima, pisando com força total sobre o animal abafado com a mão do pai. Percebendo que o despombalizado não tirava mesmo o pé sobre o animal morto e não respondia à sua ordem, esbravejou nas alturas três vezes, dando seu ultimato:
– Riba! Riba! Riiiiiiba!
Inocentemente, Riba não percebeu o desejo do pai e respondeu mais alto, antes de levar um berro nas oiças do já cansado caçador:
– Siô, pai! Armaria, nãm!
Ao que seu João, num ato derradeiro, berrando nas alturas, saiu com essa pérola, trocando a conjugação do verbo levantar:
– Riba o pé de cima desse peba, seu fí d´uma éééégua!
Então, naquele exato momento, o menino levantou o pé de cima do animal, levando ainda um baita safanão, e pôde aprender que o verbo levantar, no sertão, também pode ser conjugado assim: EU RIBO, TU RIBA, ELE RIBA.
E aí, pessoal? Dá para criar expectativa?
03 – De parabéns a nossa nova diretoria, pastor Luís Carlos Porto e Edna Ventura, principalmente sobre a manutenção dos horários. Faz lembrar-me Vito Milesi. Quando era convidado para algum evento, ele sempre chegava ao local 15 minutos antes. Vinte minutos depois, se não começasse, ele se retirava.
GOSTARIA DE TER SEU PRÓPRIO SITE OU BLOG?
Nunca imaginei que houvesse, em Imperatriz, alguém tão capacitado! Pedi permissão a ele e, se precisarem, procurem-no no Zap: Erick Medrado e entrem em contato com ele. É humilde, profissional, amigo de verdade, responsável nos horários que marca para os dias e as aulas…. Em menos de dois meses, com visitas de duas ou três horas por semana, realizou o meu último sonho: aprender a atualizar, sozinho, diariamente, este site que está visitando agora.
UM NOVO TEMPO?
De fato, “a propaganda é a alma do negócio”! Mal reeditei meus 22 livros na Gráfica Brasil, o Erick Medrado atualizou Minha Página, avisando sobre a venda de qualquer um dos livros ao preço unitário de 100 reais, eis que me apareceu logo um Pix de 600,00 solicitando 6 livros. Já estou embrulhando e deverei postar amanhã. Nem enviei os primeiros 6, mais 4 já foram pedidos. Sem contar com excelentes propostas que estou examinando com cuidado. Como nossa Academia conta com muitos bons escritores, talvez seja um bom investimento a criação de um blog para mostrar e oferecer suas obras. Mande uma mensagem ou converse com o Erick Medrado via WhatsApp.
AQUISIÇÃO DE LIVROS
Você poderá solicitar qualquer um dos meus 22 livros ao preço de cem reais cada um, em qualquer parte do Brasil, sem qualquer outra despesa. A coleção completa chegará às suas mãos por dois mil reais. Maiores detalhes, informe-se pelo e-mail de minha filha Kizy Fregona Nogueira. Ela é quem me ajuda nesses atendimentos. O e-mail dela é: kizyfregona@gmail.com e o whatsapp é (99)99040319.
Chave PIX 69026122268 – Kizy Fregona Nogueira.
Em última instância, tente meu site: https://livaldo.com.br Nele você encontrará todo esclarecimento de que precisa. Abraços.